Autoestima não é sobre se sentir bem o tempo todo
Quando se fala em autoestima, muita gente pensa imediatamente em confiança alta, segurança constante ou ausência de dúvida. Para muitos homens, isso faz com que o tema pareça distante ou irrelevante. Afinal, se a vida está andando, o trabalho acontece e as responsabilidades estão sendo cumpridas, por que falar de autoestima?
A questão é que autoestima não aparece apenas quando algo dá errado. Ela está presente na forma como alguém se cobra, se trata internamente e lida com os próprios limites. Mesmo homens considerados “funcionais” podem conviver com uma autoestima fragilizada sem perceber, justamente porque aprenderam a seguir em frente apesar do desconforto.
Autoestima não é só confiança
É possível parecer confiante e ainda assim ter uma relação dura consigo mesmo. Autoestima não é sobre nunca duvidar, errar ou se sentir inseguro. Ela diz mais respeito à forma como a pessoa reage a essas experiências.
Um homem com autoestima saudável não é aquele que acerta sempre, mas aquele que consegue errar sem se destruir internamente. Que reconhece falhas sem transformar isso em prova de incompetência. Nesse sentido, autoestima não é um traço fixo da personalidade, mas uma relação que se constrói ao longo do tempo.
O que é autoestima, na prática
Na prática, autoestima está ligada à maneira como alguém se avalia, se escuta e se trata no cotidiano. Ela aparece nas escolhas que faz, nos limites que consegue sustentar e no nível de cobrança que considera aceitável.
Ter autoestima não significa se achar melhor que os outros, nem ignorar fragilidades. Também não depende exclusivamente de validação externa. Trata-se de uma relação interna: como você conversa consigo mesmo quando algo não sai como o esperado, quando se compara, quando falha ou quando precisa reconhecer limites.
Como a autoestima aparece no dia a dia
No cotidiano, a autoestima costuma se manifestar de formas sutis, muitas vezes normalizadas. Alguns exemplos comuns são:
- autocrítica excessiva diante de erros pequenos;
- dificuldade em reconhecer conquistas ou avanços;
- sensação constante de que poderia ter feito mais;
- medo frequente de errar ou decepcionar;
- dificuldade em pedir ajuda ou admitir limites.
Esses comportamentos nem sempre são vistos como sinais de algo maior. Muitas vezes, são interpretados como responsabilidade, exigência ou perfeccionismo. Mas, quando se repetem, podem indicar uma relação desgastante consigo mesmo.
Sinais de autoestima baixa que costumam ser normalizados
Alguns sinais de autoestima fragilizada passam despercebidos porque fazem parte da rotina de muitos homens. Entre eles:
- minimizar elogios ou atribuir conquistas apenas à sorte;
- se comparar constantemente com outros homens;
- aceitar situações desconfortáveis para evitar conflito;
- sentir culpa ao descansar ou desacelerar;
- evitar conversas difíceis por medo de parecer fraco.
Isoladamente, esses comportamentos podem parecer inofensivos. O problema surge quando eles se acumulam e passam a definir a forma como a pessoa se vê e se posiciona no mundo.
É possível melhorar a autoestima sem “virar outra pessoa”
Melhorar a autoestima não significa mudar quem você é ou adotar uma postura artificialmente confiante. Na maioria das vezes, envolve pequenas mudanças de percepção e postura no dia a dia.
Passa por aprender a reconhecer limites sem interpretar isso como fracasso, observar padrões de autocobrança e questionar exigências internas que talvez não façam mais sentido. É um processo gradual, feito mais de consciência do que de força de vontade.
O papel da terapia no fortalecimento da autoestima
A terapia pode ser um espaço importante para entender como a autoestima foi construída ao longo da vida e por que certos padrões de cobrança se repetem. Não se trata de “consertar” a pessoa, mas de compreender de onde vêm determinadas exigências internas e como elas afetam escolhas, relações e bem-estar.
A Igara oferece terapia online focada em homens, considerando justamente essas experiências comuns: dificuldade de falar sobre sentimentos, cobrança constante e resistência em pedir ajuda. O processo respeita o ritmo de cada pessoa e entende a autoestima como algo que se constrói ao longo do tempo, não como uma meta imediata.
Autoestima também é cuidado contínuo
Autoestima não é algo que se resolve de uma vez. Ela se ajusta, se fortalece e, em alguns momentos, também se fragiliza. Cuidar da autoestima é prestar atenção à forma como você se trata no dia a dia — especialmente quando as coisas não saem como o planejado.
Mais do que eliminar dúvidas ou inseguranças, fortalecer a autoestima é aprender a conviver com elas de maneira menos punitiva. E esse cuidado contínuo pode fazer diferença não apenas na forma como alguém se vê, mas também na maneira como vive, trabalha e se relaciona.